sexta-feira, 23 de abril de 2010
Pra se pensar
Samba nosso de cada dia, hoje todos reclamam e conclamam a sua autoria.Você é aceito, atualmente, em todos os espaços da sociedade. A seu respeito falam especialistas e doutores. Você sempre foi de agregar, nunca foi de excluir ninguém. Formou-se uma indústria em torno de você.Ganhou até o status de identidade nacional, mas a pergunta que não quer se calar é a seguinte: onde está inserido nesse contexto o seu produtor? Quais os espaços por ele ocupado?
Os significados do dia 23 de abril

Dia 23 de abril é um dia em que a religiosidade é latente para muitos cariocas. Os católicos e cultuadores de matriz africana comemoram o dia de Sao Jorge cujo sincretismo nos leva ao orixá guerreiro Ogun. Santidade muitas vezes questionada pela Santa Sé e que alguns afirmaram ter sido ameaçada pela mesma, quando da visita do Papa João Paulo II na primeira vez ao Brasil. A igreja não reconhecia o santo e outros criticavam essa mistura com cultos afro. O importante é que São Jorge faz parte do imaginário de luta maniqueísta que nos apavora todos os dias. É o desejo de se livrar das balas perdidas, da ira dos inimigos e de estar vestido e armado como ele. De uma forma ou de outra nos vemos como o cavaleiro da Capadócia e almejamos vencer o Dragão do Mal. Ou vitoriosos e desbravadores como Ogun, o ferreiro. Orixá dos caminhos, da metalurgia, da modernidade, da idéia do corpo fechado, daqueles que se divertem a cada término da jornada de trabalho e se refrescam com uma deliciosa cerveja gelada.
São Jorge é o santo mais popular que há e a simpatia por ele faz parte de uma leitura ligada a um posicionamento político - agregar o excluído e militar pelo que de mais popular ele representa: o trabalhador/operário, o boêmio, subversivo, aquele que está à margem, mas que não perde a crença num mundo melhor - , e, ou religioso por associação. O fato é que encontramos sua imagem em espaços ditos profanos. Acredito que essa religiosidade está em todos os nossos ambientes sociais. Todos os espaços são sacros! Seja no buteco da esquina, porque é a representação material do seu dono de se obter o pão de cada dia e por isso mereça a benção do santo; ou numa quadra de escola de samba, que espiritualmente tem sua ligação com o orixá Ogum e dentro dos preceitos pede-se sua proteção e toma-o como patrono. Os sambistas, figuras que povoam as madrugadas e circulam por tantos caminhos, a ele também pedem proteção e daí presenciarmos essa mistura com o cotidiano carioca.
Samba, sambistas, rodas e quadras de samba me fazem lembrar daquela baiana de Santo Amaro da Purificação (Recôncavo) que aos 22 anos e com uma filha, mudou-se para o Rio de Janeiro, tornando-se uma das lideranças da Pequena África e símbolo fundador da cara musical do Brasil: Tia Ciata ou Assiata. Se viva estivesse, Hilária Batista de Almeida comemoraria 156 anos hoje. Pertencente à comunidade de baianos radicados no Rio de Janeiro,ligados ao culto religioso de matriz africana, na área conhecida como Pequena África; promoveram rodas de samba, desfile de ranchos Carnavalescos - o rancho fundado por Tia Ciata Chamava-se "O macaco é o outro", referência e crítica ao preconceito racial -,

eram eles: Hilário Jovino Ferreira( Lalo de Ouro), Perciliana Maria Constança (mãe do João da Baiana), Tia Amélia do Aragão (mãe do Donga), o legendário Amor (Getúlio Marinho da Silva), Tia Bebiana, Tia Rosa, Tia Sidata. O samba mais afamado era da casa da Tia Ciata porque lá que os sambas, nascidos no morro, se tornavam conhecidos na roda e se popularizavam. Desta forma, essa mãe pequena respeitada, simboliza toda a estratégia de resistência musical à cortina de marginalização erguida contra o negro em seguida à abolição.
Na casa de Tia Ciata, surgiu Pelo Telefone, o samba que lançaria no mercado fonográfico um novo gênero musical. E os músicos do primeiro samba gravado foram recrutados entre seus ogans e frequentadores da casa: Donga, João da Baiana, Pixinguinha, Sinhô, Caninha, Heitor Dos Prazeres e outros. A casa de Tia Ciata transformou-se num centro de continuidade da Bahia Negra, logo de parte da diáspora africana, no Rio.

São Pixinguinha,"o encantado de Aruanda", referência preciosa na nossa música,também faz parte dessa reflexão ao dia 23 de abril. Completaria hoje 113 anos. O nosso Alfredo da Rocha Vianna Filho, o carioca Pixinguinha, foi saxofonista, flautista, compositor e arrajandor. Instrumentista virtuoso, compositor inspirado, comparado a Bach na arte da polifonia e do contraponto, além de arranjador de rara criatividade, é um dos fundadores da moderna linguagem musical brasileira e certamente o maior nome da música brasileira em todos os tempos.
Nosso padroeiro não foi exatamente um sambista, como o foram seus contemporâneoas e companheiros Caninha e João da Baiana, por exemplo. Mas seu trabalho como compositor, arranjador e intérprete, e sua ligação com o samba desde os primórdios fizeram dele uma espécie de patrono e, hoje é o legítimo santo padroeiro do samba.
Fica aqui uma reflexão a respeito dos significados do dia 23 de abril. É uma data marcada pela aceitação, luta a favor da expressão pela vida e de exemplos de uma sacralidade além do que foi instituído. Uma sacralidade que segue os moldes da nossa africanidade banto/nagô, onde o processo é de interação entre homens e entre o mundo visível (o Ayê, em nagô) e o invisível (o Orum), cujo padrão simbólico é buscado no sistema religioso ou no sistema de trocas simbólicas do grupo social em questão.
fontes: Lopes, Nei. Sambeabá; o samba que não se aprende na escola.
Sodré, Muniz. Samba, o dono do corpo.
Moura, M. Roberto M.. No princípio, era a roda: um estudo
sobre samba, partido-alto e outros pagodes.
Lopes, Nei. Partido-alto: samba de banba.
sábado, 12 de dezembro de 2009
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
FOLIA CARIOCA - 10 de dezembro

GRITO DE CARNAVAL
da Associação FOLIA CARIOCA (Associação dos Blocos e Bandas do Rio de Janeiro) A festa de lançamento da Associação Folia Carioca terá roda de samba com o grupo Nó Molhado, Toninho Geraes e convidados.
A programação inclui baile de carnaval animado pelo maestro Quintanilha, do Cordão da Bola Preta, tocando marchinhas, sambas e frevos. Festa da Folia Carioca
Quinta 10 de dezembro de 2009 - 21 horas Cabaret Kalesa
Rua Sacadura Cabral, 61 – Praça Mauá – 21h Ingressos: R$ 5 antecipados (pelo email blocosfoliacarioca@gmail.com) ou R$ 10 no local
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Sambando macio

Oi, Zé quando vier da lagoa
Toma cuidado com o balanço da canoa
Oi, Zé faça o que quiser
Só não maltrate o coração desta mulher
Oi, Zé faça o que quiser
Só não maltrate o coração desta mulher
Oi, Zé quando vier da lagoa
Toma cuidado com o balanço da canoa
Oi, Zé faça o que quiser
Só não maltrate o coração desta mulher
Oi, Zé faça o que quiser
Só não maltrate o coração desta mulher
Cheiro bom no ar

A cozinha é um divã! Sim é verdade!!! É nela que afogo as minhas mágoas, soluciono os meus problemas e encontro o prazer de viver.
É na quentura da panela que o meu coração se enche de alegria e é no ajuste dos temperos que o meu paladar transforma o amargo, o azedume, em doces melodias, lembranças felizes.
Já disse que a cozinha é lugar de bruxaria... É ALQUIMIA PURA!
Numa dessas incursões a ela descobri que sei fazer batidas, tá?
Bem, vou deixar a receita do Quentão. Eu fiz e a galera ADOROU!!!
QUENTÃO
Ingredientes:1 garrafa de cachaça (600 ml)
50 gramas de gengibre em pedacinhos
1 maçã cortada em pedacinhos
casca de 2 laranjas
casca de 1 limão
600 ml de água
1/2 kilo de açúcar
cravo da índia
canela em pau
Modo de Preparar:Em uma panela grande, colocar o açúcar, as cascas de laranja e limão, o gengibre, o cravo e a canela.
Quando o açúcar estiver derretido, colocar a cachaça e a água. Deixar cozinhar tudo por uns 20 minutos em fogo brando. Usar um filtro de papel para coar e em seguida acrescentar a maçã em pedacinhos. Mantenha quente ao servir.
fonte: Receita de João Krisch Junior
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Dia Nacional do Samba - 02 de dezembro

Ao olhar para o passado me posiciono como uma expectadora de uma história que nos chega através da criatividade dos congo-angola. Povo do tronco linguístico bantu. Chegaram aqui no Brasil, muitos na condição de escravizados, derramaram sua criatividade para recriar sua cultura.
Dessa memória, de cultural oral, nos chega o semba. Semba que remonta tantos segredos nos seus passos. Tantas disputas, lamentos de dor e alegria de viver nos seus cânticos.
Semba que se tocava e dançava nos terreiros de terra batida das fazendas que produziam cana de açúcar ou café da Bahia. Semba dos bantus levados às minas nas terras das Gerais. Semba que na cidade do Rio de Janeiro era realizado nos fundos das cabeças de porco e que com a modernização da cidade subiu os morros com sua gente perseguida, discriminada e marginalizada.
Se ontem ele era o filho feio de um povo maltrapilho, barulhento, chegados ao calandu; hoje é enaltecido e amado. O samba seria então o resultado da miscigenação de um Brasil democrático racialmente (versão oficial).
Se na atualidade é possível curtir esse dia, não podemos e nem devemos esquecer daqueles que foram perseguidos por tocarem samba - lembram do caso do João da Baiana? -, dos terreiros de culto de matriz africana que eram invadidos e depredados. Local de espiritualidade e perpetuação da cultura negra, nos finais dos seus ritos promoviam as rodas de samba. De lá sairam os instrumentos formadores do samba, as pastoras, as cabrochas, os músicos e os compositores, Saravá! Mukuiu ( benção na nação Angola) ou Mutumbá (benção na nação Ketu) a todos!
Estamos aí, levando de uma forma ou de outra a nossa cultura. Sempre lutando por visibilidade dos que realmente tem talento e competência para entoá-lo e tocá-lo. Enaltecendo sempre as raízes, o tradicional e brigando para que a modernidade,ou, o capital não modifiquem tanto o que é nosso.
Tendo consciência do dinamismo da cultura, mas de olho nas deformações, viva o samba nosso de cada dia!!!!
Asé
Assinar:
Postagens (Atom)
